Quem Foi Vů Durvina

"Vó Durvina”

Porque Vó? É fácil responder, basta lembrar de como era sua casa e como era tão “utilizada”.

A casa de Vovó Durvina, antes de ser o seu “templo” familiar e tão venerado, foi uma verdadeira pensão, também uma típica maternidade e uma pequena filial da igreja, porque lá na rua Carlos de Carvalho 846, quem não nascia, casava, mas todos, quase sem exceção também “moravam” ainda que temporariamente, até conseguir um emprego, ou um lugar definitivo para morar, ou até para ser cuidado e muito bem zelado pela Vó Durvina, enquanto não estivesse bem curado de alguma enfermidade.
Quase todos os netos legítimos ou não, nasceram na casa de Vó Durvina, e sua casa era um verdadeiro “Jardim de Infância”, porque Vovó era assim, desejada, querida, abençoada, paciente, educadora, enérgica sem ser ríspida e sempre de braços abertos para afagar os netos, incluindo os “netos de coração”, sobrinhos e afilhados. Filhos de parentes e até de amigos tiveram aquela casa-mãe como maternidade, até por conta de que naquela época nem existiam maternidades, eram as parteiras que iam nas casas prestar esses abnegados serviços, e Dona Chela era a parteira de confiança de Vó Durvina. Isso naturalmente derivou o seu cognome de Vó.
Além de toda essa “magia” que a fada benevolente Vó Durvina fazia, a sua casa também prestava como uma “Ouvidoria”; Vovó sabia muito bem entender dos conflitos de casais, angustias das pessoas, problemas diversos e até segredos. A cada um tinha escondido em seu coração sábio, um adocicado e esperançoso conselho ou uma palavra de conforto e confiança. Coisas que ela ouvia, com ela ficava em segredo.
Ao entrar na casa de Vovó Durvina e Vovô Itaciano, pelo corredor lateral até os fundos, porque assim era, todos entravam por ali e era na verdade a principal entrada da casa, a sua cozinha... E ali era o “coração” daquela inesquecível e respeitada “pousada” e da doce velha senhora, elegante, bonita, de cabelos de prata, sempre com seu aventalzinho amarrado a cintura, porque ali era sua “oficina”, ou o seu “restaurante”, e a sua sala de visitas, embora com espaço aproximado de 4x4, cabiam todos que chegavam e eram sempre bem recebidos. A energia daquela cozinha e da casa era totalmente familiar a começar pelo velho fogão à lenha, eternamente aquecido e perenemente à espera de quem chegava... E sempre com um delicioso prato de comida, preparado com esmero, carinho e competência... Ai de quem saísse sem comer, não importava a hora. Lembrando um pouco esses idos maravilhosos, se era até as 10:00 horas, o cafezinho e o pão com manteiga cheirando apetite, ali estavam à disposição – das 10:45 em diante, o almoço já estava quase pronto à espera de quem fosse, nas panelas quentinhas se encontrava o feijão marronzinho com aquele caldo suculento, o arroz branco, aromatizado e solto, uma carne de panela dourada, virado repolho com farinha de milho e ovos, guisado de batata com ovos, batatinhas fritas com bife na chapa, sem falar nos domingos que o almoço era o tradicional frango caipira de panela ou posta, macarronada, frango assado no forno e maionese. Já às 15:00 horas, o café da tarde sempre com mistura, senão um pão feito por ela, bolinhos de polvilho servidos em grandes bacias, cobertas pelos alvos panos de pratos lavados e alvejados por ela. Lembro também das deliciosas e fofas broinhas de coco que ela de vez em quando fazia para gente até levar para casa, e essas receitas ela levou para o céu para adoçar e alimentar os anjos de DEUS.
Por mais que se queira, Vovó Durvina continua a única na espécie e gênero... Imortal sempre será porque, aquele que faz tudo por e com amor, deixa saudade e não morre, apenas vai... Mas deixou nas filhas a essência do amor do zelo e da paixão pela família.
Durvina Marcondes nascida no dia 12 de dezembro de 1889, filha de Adelina e Antônio Prestes, gente boa da lavoura a do campo, de origem humilde de Piraí do Sul, Wenceslau Braz e arredores, com precisos princípios morais, com três irmãos e quatro irmãs, cada qual herdado no sangue e no coração predicados e qualidades semelhantes aos que Vó Durvina possuía.
Mulher sensível, generosa e que se emocionava com qualquer coisa, apesar de sua aparente força que vinha não sei de onde para suportar todos os percalços da vida e essa força ela dividia com quanto precisasse. Era uma mulher de DEUS, talvez tivesse sido a afilhada do grande pai...
Procurava conservar seus princípios morais com todos da família, e a honestidade, humildade, a perseverança, a bondade, a fé e a caridade eram impregnados no seu ser. Lutava pelo bem e sempre em direção a DEUS... Mulher inteligente, mesmo sem estudo, tinha a propriedade de convencimento; o perdão estava em sua voz; quando julgava algo. Fazia de modo prudente e justo. Tinha até senso de humor com sai críticas para jamais parecer arrogante ao falar com alguém. Não gostava de pessoas que com seus compromissos – era pessoa madura de alto nível espiritual que enobrecia o seu ilibado caráter. Ara o anjo protetor e o escudo de vovô Itaciano. Era mulher família e pela família dava tudo de si. Quem sabe, se fosse viva hoje, e com estudo. Conhecimentos e certo poder, poderia ser muito e muito mais do que uma Eva Perón, a quem admirava muito, por que era sofrida, solitária, social humana e política...

Depoimento Sr. Paulo Walbach Prestes – Neto por adoção.

Vó Durvina Faleceu em novembro de 1974. Não foi sua família que sentiu o grande vazio que sua pessoa querida deixou, mas também toda a comunidade carente de Curitiba e regiões próximas que ela atendia. Suas filhas deram continuidade ao seu trabalho e com passar do tempo a família e amigos próximos se juntaram a elas fortalecendo cada vez mais o trabalho assistencial.